Claudio Luiz Marte*
Leopoldo Yoshioka*
Caio Fontana**
Cledson Akio Sakurai**
* Escola Politécnica da USP
** UNIFESP- Santos
Os
Sistemas de Controle de Tráfego Urbano (Urban
Traffic Control - UTC) otimizam a rede de semáforos em áreas urbanas,
reduzindo atrasos no tráfego e reduzindo a poluição. Entretanto, a redução do
congestionamento pode encorajar novas viagens, resultando em níveis semelhantes
de congestionamento, com fluxos mais altos. A demanda pode ser suprimida,
utilizando-se técnicas de administração de demanda (ex.: restrições de
estacionamento e pedágio urbano) ou restrições da capacidade (ex.: controle de
acesso e pistas segregadas para o TP).
A
coordenação da operação de semáforos reduz
o tempo de fila dos veículos e o número de paradas em sinais vermelhos. Nos últimos anos, os UTC
foram ampliados para prover prioridade seletiva e dar aos operadores da rede
mais controle das estratégias de Gerenciamento de Tráfego. O processamento de
dados e tecnologias de comunicação disponibilizam os dados do CCO de Tráfego
para outras ferramentas ITS, como Controle de Incidentes Urbanos, Pedágio
Urbano, Prioridade ao TP, Informações ao Usuário de Transportes. A Figura 2.5
explicita a dependência dos Sistemas de Supervisão Aplicada a Auto-Estradas,
SCV, Controle de Intersecções e Sinalização de Pedestres com relação ao UTC
[Ertico, 1998-C].
|
As
tecnologias modernas dos UTC de resposta ao tráfego incluem um sistema de
coleta de dados (SAT), um modelo de tráfego para calcular um conjunto de tempos
otimizados de resposta nos semáforos, um computador no CCO, uma rede de
comunicação (RCD) e controladores de intersecções para implementar a
temporização de cada semáforo.
Os
benefícios dos UTC variam de acordo com as estratégias aplicadas [Abdel-Rahim,
1998 e POLIS, 1998]:
·
Redução do congestionamento (demora/morosidade do
tráfego durante as jornadas);
·
Aumento da capacidade do sistema viário, com
influência no re-roteamento;
·
Melhoria das funções de gerenciamento de tráfego;
·
Melhoria do conhecimento do comportamento dos usuários
na rede;
·
Melhoria da informação sobre falhas e redução do tempo
de manutenção.
Há dois tipos principais de
UTC: [Hutchinson, 1999 e POLIS, 1998]
a) Controle fixo
de tempo:
A
temporização dos semáforos é calculada off-line,
usando dados do fluxo de tráfego coletados em pesquisas, baseada na média dos
fluxos e implementada como uma série de planos. Diferentes temporizações são
utilizadas para diferentes horários do dia (pico matutino, fora do pico, pico
vespertino), alterando os padrões de viagem. A vigilância do CFTV também é utilizada,
para os operadores modificarem planos manualmente, quando acontecem acidentes,
quebras, demonstrações, etc.
[MacMorran, 1999].
b) Temporização
flexível (dinâmica):
Os
sistemas, conhecidos como UTC sob demanda
de tráfego, coletam informações de tráfego em tempo real e calculam as
temporizações dos semáforos para comparar com o plano de tráfego atual ou
prever condições. Como o fluxo do tráfego, também mudam continuamente as
temporizações de semáforos.
Com os dados de tráfego coletados automaticamente
não há necessidade de pesquisas para atualizar o plano de semáforos, porém, o
sistema é mais complexo e exige mais manutenção. Os sistemas atuais
proporcionam ao controlador de interconexões certa liberdade para variar os
ciclos sobre os tempos direcionados pelo CCO
[Boucke, 1997].
Na
Europa os UTC dinâmicos mais utilizados são o SCOOT (Split Cycle Offiset
Optimisation Technique) - Reino Unido, o UTOPIA / SPOT – Itália, o MOTION -
Alemanha e o PRODYN - França [Ertico, 1998-C].
Impactos medidos com a aplicação dos UTC, quanto a:
·
Eficiência
dos Transportes
O
UTC SCOOT é amplamente usado no Reino Unido e em vários países, inclusive no
Brasil (São Paulo). O sistema faz ininterruptas pequenas mudanças nos tempos
dos semáforos, baseado em informações em real tempo do fluxo do tráfego.
Recentes versões do sistema introduziram muitas características que
possibilitam à autoridade local influenciar nos tempos dos semáforos. Estudos
detalhados na Europa mostram que em média o SCOOT reduziu os atrasos em 12%, se
comparado com planos fixos de tempo. Outros estudos em Londres mostram que há
uma redução de 8% nos tempos de jornada.
Em
Southampton, onde o SCOOT foi introduzido em áreas sem qualquer UTC, tempos
médios de atraso foram reduzidos em até 48% e tempos de jornada em até 26%,
registrados em períodos de pico à tarde. Em Turim, o UTC UTOPIA reduziu o tempo
de jornada em 19%.
·
Emissões
e consumo de Combustível
Medidas
de consumo de combustível feitas durante estudos com o SCOOT mostram redução de
4%, quando comparado a planos fixos de tempo. [Miles, 1998].

Nenhum comentário:
Postar um comentário