quinta-feira, 16 de maio de 2013

Os Computadores já podem tirar Carteira de Motorista

Os veículos autônomos está deixando de ser uma ficção e cada vez mais próximo de nossas realidades.

Dentro do ITS (Sistemas Inteligentes de Transporte)  pesquisas nessa área é uma das que mais estão evoluindo no mundo todo. Os primeiros trabalhos mais relevantes foram realizados pelo PATH (Partners for Advanced Transportation TecHnology) um instituto ligado à Universidade da Califórnia com pesquisas sobre veículos guiado magneticamente. Mais recentemente, a Google apresentou o self-driven car que dizem ter rodado mais de 200 mil quilómetros sem intervenção do motorista guiado por um computador, conjunto de sensores e atuadores.

Recentemente Bil Ford, CEO da Ford e neto do fundador, afirmou durante um evento  no Detroit Auto Show que os carros auto guiados estão chegando, e muito mais rápido do que se imaginam. Não é para menos, pois se as montadoras não agirem logo as empresas de tecnologia de Internet como a Google, Facebook e outros, estarão entrando nesse mercado. Ora, considerando que um cidadão médio passa pelo menos duas horas dentro de um carro, essas empresas de tecnologia adorariam que ao invés deles se ocuparem dirigindo o carro aproveitassem esse tempo consumindo os seus serviços de internet.

Estados da Califórnia, Flórida e Nevada já aprovaram leis que permitem que carros autoguiados circulem em vias públicas (ainda que com algumas restrições). Ou seja, é o mesmo que autorizar "computadores" a tirarem carteiras de motorista.

Leopoldo Yoshioka


Quem tiver interesse:


Bill Ford: The future of self-driving cars is closer than you think


Combinando Bluetooth e Wi-Fi para otimizar Semaforização de Tráfego


A empresa dinamarquesa BLIP SYSTEMS (http://www.blipsystems.com/)  desenvolve soluções ITS (Intelligent Transportation Systems) muito interessantes utilizando a tecnologia sem-fio.

Um de seus produtos é o BlipTrack que usa a combinação de Bluetooth e WiFi, hoje em dia presente na maioria dos smatphones, para monitorar constantemente o tráfego de veículos e colocar as informações num mapa.

http://www.itsinternational.com/categories/networking-communication-systems/news/combining-bluetooth-and-wi-fi-to-optimise-traffic-signals/


Combining Bluetooth and wi-fi to optimise traffic signals

First publishedon www.ITSInternational.com
Optimisation of traffic signals is often seen as a challenging and expensive task, requiring inductive loops, cameras or manual counting for traffic monitoring.
However, a new development from Danish wireless technology company Blip Systemsaims to change that.

BlipTrack uses a combination of Bluetooth and wi-fi to constantly monitor and map traffic flow.  The system detects all vehicles containing Bluetooth or wi-fi enabled devices to provide accurate traffic data, enabling real-time traffic monitoring and allowing operators to make adjustments to traffic signal timing, optimising traffic flow and reducing travel time.  Drivers can also receive real-time information on incidents and congestion.

BlipTrack sensors are independent of light and weather conditions, require no maintenance and can be installed without disrupting traffic. The system can cover broad road networks with sensors installed at key points, providing a cost effective traffic management solution.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Tutorial - Controle de Tráfego Urbano (UTC)


Claudio Luiz Marte*    Leopoldo Yoshioka*
Caio Fontana**   Cledson Akio Sakurai**
* Escola Politécnica da USP
** UNIFESP- Santos

Os Sistemas de Controle de Tráfego Urbano (Urban Traffic Control - UTC) otimizam a rede de semáforos em áreas urbanas, reduzindo atrasos no tráfego e reduzindo a poluição. Entretanto, a redução do congestionamento pode encorajar novas viagens, resultando em níveis semelhantes de congestionamento, com fluxos mais altos. A demanda pode ser suprimida, utilizando-se técnicas de administração de demanda (ex.: restrições de estacionamento e pedágio urbano) ou restrições da capacidade (ex.: controle de acesso e pistas segregadas para o TP). 
A coordenação da operação de semáforos reduz  o tempo de fila dos veículos e o número de paradas em  sinais vermelhos. Nos últimos anos, os UTC foram ampliados para prover prioridade seletiva e dar aos operadores da rede mais controle das estratégias de Gerenciamento de Tráfego. O processamento de dados e tecnologias de comunicação disponibilizam os dados do CCO de Tráfego para outras ferramentas ITS, como Controle de Incidentes Urbanos, Pedágio Urbano, Prioridade ao TP, Informações ao Usuário de Transportes. A Figura 2.5 explicita a dependência dos Sistemas de Supervisão Aplicada a Auto-Estradas, SCV, Controle de Intersecções e Sinalização de Pedestres com relação ao UTC [Ertico, 1998-C].




Figura 2.5 - Inter-relacionamentos do Sistema de Controle de Tráfego (UTC) e outros Sistemas ITS
 
 

 As tecnologias modernas dos UTC de resposta ao tráfego incluem um sistema de coleta de dados (SAT), um modelo de tráfego para calcular um conjunto de tempos otimizados de resposta nos semáforos, um computador no CCO, uma rede de comunicação (RCD) e controladores de intersecções para implementar a temporização de cada semáforo. 
Os benefícios dos UTC variam de acordo com as estratégias aplicadas [Abdel-Rahim, 1998 e POLIS, 1998]:
·         Redução do congestionamento (demora/morosidade do tráfego durante as jornadas);
·         Aumento da capacidade do sistema viário, com influência no re-roteamento;
·         Melhoria das funções de gerenciamento de tráfego;
·         Melhoria do conhecimento do comportamento dos usuários na rede;
·         Melhoria da informação sobre falhas e redução do tempo de manutenção.
Há dois tipos principais de UTC:  [Hutchinson, 1999 e POLIS, 1998]
a) Controle fixo de tempo:
A temporização dos semáforos é calculada off-line, usando dados do fluxo de tráfego coletados em pesquisas, baseada na média dos fluxos e implementada como uma série de planos. Diferentes temporizações são utilizadas para diferentes horários do dia (pico matutino, fora do pico, pico vespertino), alterando os padrões de viagem. A vigilância do CFTV também é utilizada, para os operadores modificarem planos manualmente, quando acontecem acidentes, quebras, demonstrações, etc.    [MacMorran, 1999].
b) Temporização flexível (dinâmica):
Os sistemas, conhecidos como UTC sob demanda de tráfego, coletam informações de tráfego em tempo real e calculam as temporizações dos semáforos para comparar com o plano de tráfego atual ou prever condições. Como o fluxo do tráfego, também mudam continuamente as temporizações de semáforos.
  Com os dados de tráfego coletados automaticamente não há necessidade de pesquisas para atualizar o plano de semáforos, porém, o sistema é mais complexo e exige mais manutenção. Os sistemas atuais proporcionam ao controlador de interconexões certa liberdade para variar os ciclos sobre os tempos direcionados pelo CCO  [Boucke, 1997].
Na Europa os UTC dinâmicos mais utilizados são o SCOOT (Split Cycle Offiset Optimisation Technique) - Reino Unido, o UTOPIA / SPOT – Itália, o MOTION - Alemanha e o PRODYN - França [Ertico, 1998-C].
Impactos medidos com a aplicação dos UTC, quanto a:
·         Eficiência dos Transportes
O UTC SCOOT é amplamente usado no Reino Unido e em vários países, inclusive no Brasil (São Paulo). O sistema faz ininterruptas pequenas mudanças nos tempos dos semáforos, baseado em informações em real tempo do fluxo do tráfego. Recentes versões do sistema introduziram muitas características que possibilitam à autoridade local influenciar nos tempos dos semáforos. Estudos detalhados na Europa mostram que em média o SCOOT reduziu os atrasos em 12%, se comparado com planos fixos de tempo. Outros estudos em Londres mostram que há uma redução de 8%  nos tempos de jornada.
Em Southampton, onde o SCOOT foi introduzido em áreas sem qualquer UTC, tempos médios de atraso foram reduzidos em até 48% e tempos de jornada em até 26%, registrados em períodos de pico à tarde. Em Turim, o UTC UTOPIA reduziu o tempo de jornada em 19%.
·         Emissões e consumo de Combustível 
Medidas de consumo de combustível feitas durante estudos com o SCOOT mostram redução de 4%, quando comparado a planos fixos de tempo. [Miles, 1998].

Introdução aos Sistemas Inteligentes de Transportes - ITS


Claudio Luiz Marte*  Leopoldo Yoshioka*
Caio Fontana**  Cledson Akio Sakurai**

(*) Escola Politécnica da USP
(**)  UNIFESP (Santos)

Apresentação
Os Sistemas Inteligentes de Transportes (ITS) vêm ganhando relevância como um caminho importante para tratar questões de mobilidade urbana. O presente texto tem como objetivo apresentar uma visão geral sobre esse tema.
A mobilidade é uma das necessidades fundamentais do ser humano sendo que as cidades têm o desafio de proporcionar condições de circulação segura e eficiente para atender a demanda dos cidadãos. Entretanto, o aumento da população nas áreas urbanas combinado com o crescimento da opção pelo automóvel tem acarretado a lentidão do trânsito, resultando em desperdício de tempo e recursos para toda a sociedade.
A Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei 12.587 de 3 de janeiro de 2012) estabelece como atribuição dos municípios planejar, executar e avaliar as políticas de mobilidade urbana. Um passo importante dentro deste processo será estabelecer um plano diretor baseado numa concepção sistêmica que articule os vários modos de transporte com a finalidade de atender as necessidades de mobilidade da população, do transporte de bens e materiais. Dentre os principais objetivos de um plano diretor de mobilidade urbana podemos destacar os seguintes:
  • Melhorar a qualidade de vida população mediante a disponibilização de serviços de transporte público de forma regular, confiável e segura;
  • Prestar serviços com eficiência mediante rede de transporte integrada e racionalidade operacional, com prioridade para meios de transporte coletivos;
  • Reduzir a lentidão do tráfego através de coordenação dos sistemas de controle e de gerenciamento, contribuindo para a melhoria da qualidade ambiental e de sustentabilidade;
  • Reduzir os custos operacionais decorrentes do transporte coletivo.
Para se alcançar esses objetivos torna-se necessário estudar e planejar um modelo de implantação de sistema de mobilidade urbana que considere desde o princípio a integração dos vários elementos, incluindo infraestrutura de trânsito e transporte, modos de transporte, frota de veículos, infraestrutura tecnológica entre outros. Deve ser observado que o desempenho global da rede de transporte é fortemente afetado pelos gargalos, pelas limitações da infraestrutura como também do nível de demanda e de incidentes que impactem na redução da capacidade operacional dos viários ou dos veículos. Nesse sentido, torna-se fundamental considerar a adoção de tecnologias que aumentem a segurança, melhorem a coordenação das equipes de trânsito e de transporte.
Nas áreas urbanas a rede de transporte não consegue mais acomodar o aumento de demanda por transportes. Nem é possível ampliar as vias no mesmo ritmo. O resultado são os congestionamentos e lentidão do trânsito, que acarretam alongamento do tempo de viagens, atrasos, aumento de custos, maior consumo de combustível, impacto ambiental e riscos de acidentes. É cada vez mais imprescindível buscar soluções sistêmicas que otimizem o uso dos recursos existentes, aumentem o desempenho operacional, minimizem o tempo de resposta dos incidentes, que antecipem a ocorrência de problemas, ajudem a organizar a oferta e a demanda entre outras. Diante desta situação é inconteste a necessidade de se considerar a implantação de Sistemas Inteligentes de Transporte (ITS) dentro dos planos diretores de mobilidade.
A grande vantagem de tratar de sistemas ITS desde a fase de estudos e de concepção dos projetos de mobilidade é a possibilidade de se obter maiores benefícios em função de maior eficiência resultante do planejamento e integração, evitando-se duplicação e incompatibilidade de configuração de sistemas.
Os principais objetivos dos sistemas ITS são as seguintes:
·         Melhorar a segurança do usuário;
·         Aumentar a mobilidade do usuário;
·         Aumentar a eficiência do sistema de transporte;
·         Aumentar a produtividade dos provedores de transporte;
·         Ajudar na conservação da energia e proteção do meio ambiente;
·         Aumentar a produtividade das cidades, aumentando a sua atratividade;
·         Melhorar a qualidade de vida da população.

A seguir apresentamos alguns dos benefícios que se espera da execução de um projeto de ITS:
·         Menor duração dos deslocamentos (tempo de viagem);
·         Aumento da capacidade e do fluxo;
·         Redução de custos operacionais;
·         Redução do custo das viagens;
·         Elevação do nível de satisfação dos usuários;
·         Maior segurança;
·         Redução da emissão de poluentes;
·         Menor ocorrência de infrações de trânsito;
·         Ganhos em eficiência no transporte público;
·         Melhorias na logística e na segurança;
·         Maior acessibilidade aos usuários.

Histórico
Os Sistemas Inteligentes de Transporte (ITS – Intelligent Transport Systems) vêm atraindo interesse mundial por parte dos profissionais de transportes, da indústria automotiva, gestores públicos entre outros.
Os japoneses possivelmente foram os precursores, por terem iniciado essa noção moderna de ITS com um trabalho realizado em meados de 1980. Na década de 1970 os Estados Unidos abordaram a aplicação de ITS em um estágio inicial no âmbito do Projeto Electronic Route Guidance (ERGS). Naquela época, não havia um nome específico para ITS, sendo este considerado como parte do controle de tráfego. A União Européia escolheu o tema, em parte baseada numa reação aos japoneses e em parte estimulada por um trabalho pioneiro da Siemens (Projeto de orientação Ali-Scout, em Berlin).
Os Estados Unidos adotou o tema no final de 1980, referindo-se ao assunto como Intelligent Vehicle Highway Systems (IVHS).  
Para não ficarem atrás, os europeus trouxeram outro significado para o assunto, desta vez a expressão foi Advanced Transport Telematics (ATT), refletindo a evolução da aplicação das tecnologias de informação e comunicação para o setor de transportes. Data dessa época o termo Telemática (termo resultante da combinação de Telecomunicações e Informática).
Os Estados Unidos, em seguida, vieram com outro termo, ITS, dando reconhecimento a toda aplicação de tecnologia para sistemas de trânsito, bem como veículos e rodovias. Felizmente, esse nome parece ter dado certo, sendo adotado por muitas organizações internacionais. Na verdade, as séries anuais de Congressos Mundiais, co-patrocinados pela Europa, Estados Unidos e Japão trazem este nome desde o primeiro congresso, realizado em Paris em 1994.
Por outro lado, a ISO (International Standards Organization), órgão responsável pelo desenvolvimento de normas internacionais, decidiu ainda usar outro termo em suas atividades de desenvolvimento de padrões – Telemática aplicada às estradas, tráfego e transporte.
Propósito
A base para o desenvolvimento científico e o levantamento do estudo de soluções de ITS está disponível mundialmente. Ela permite identificar e estabelecer conceitos, metodologias, terminologias, sistemas e tecnologias a serem aplicadas em diferentes  âmbitos (regional, nacional e ainda, numa visão sistêmica - de interoperabilidade entre países).
ITS é um nome utilizado para descrever sistemas aplicados aos transportes, nos quais veículos interagem com o ambiente, e uns com os outros, de forma a proporcionar uma experiência avançada de condução, e cuja infraestrutura inteligente melhora a segurança e a capacidade dos sistemas rodoviários.
De outra forma: “O sistema definido pela eletrônica, comunicações ou processamento de informação, utilizados isoladamente ou integrados, visando melhorar a eficiência ou a segurança do transporte de superfície”.
Em resumo, pode-se entender ITS como sendo a aplicação de recursos tecnológicos de telemática para melhorar a segurança e o desempenho dos Sistemas de Transporte. E, além desses, estão se tornando cada vez mais importantes os aspectos ambientais, como a minimização da poluição e das emissões.

Estratégia de Implantação
A estratégia de implantação de ITS deve definir a situação que se deseja alcançar tendo como referência as melhores práticas adotadas no mundo. Essa avaliação poderá ser realizada considerando-se, por exemplo, as seguintes áreas de ITS:
·         Informações aos usuários: inclui todos os serviços desenvolvidos para subsidiar as decisões dos usuários antes e durante seu deslocamento (por exemplo,  painéis de mensagens variáveis – PMV);
·         Gerenciamento do tráfego: inclui os serviços necessários ao gerenciamento dos fluxos de tráfego no corredor (por exemplo, sistemas de controle de semáforos);
·         Gerenciamento da demanda: serviços necessários para reduzir congestionamentos nas rodovias e nas áreas urbanas;
·         Assistência avançada ao condutor: refere-se a todos os sistemas automáticos destinados a melhorar o desempenho do veículo e do condutor e tornar a condução mais segura (por exemplo, sistemas de guiagem automática);
·         Transações financeiras por via eletrônica: refere-se aos serviçoa que permitem a cobrança automática de tarifas (por exemplo bilhetagem eletrônica);
·         Gerenciamento de frotas: refere-se ao serviço de apoio necessário ao gerenciamento da frota de serviços de transporte público coletivo de passageiros (por exemplo, sistemas de monitoramento de frota baseados na tecnologia de localização por satélites – GPS/GPRS);
·         Gerenciamento do Transporte Público: inclui serviços necessários para otimizar o transporte público coletivo de passageiros em termos de conveniência e de desempenho;
·         Atendimento de ocorrências: refere-se aos serviços necessários para atender as ocorrências, acidentes e outras emergências.

Além destes, existem outros serviços e outras formas de nomear esses mesmos serviços, mas busca-se apresentar a dimensão e amplitude das possibilidades de ITS no cenário urbano.
Aplicações
A ênfase dos sistemas ITS está em sistemas de transporte terrestres, com forte aplicação na infraestrutura de transporte rodoviária - e no caso dos sistemas de transporte ferroviários (p.ex.: veículos leves sobre trilhos - VLT) particularmente onde eles interagem com os sistemas rodoviários, ou seja, nas interfaces com outros modais (outros domínios dos transportes). Assim como está avançando em relação à eletrônica embarcada em veículos (domínio das montadoras de automóveis/caminhões).  Em função das definições citadas, pode-se pensar que ITS é aplicado apenas a  veículos e rodovias. Outros sistemas de transporte, como aéreo, marítimo e ferroviário podem e, freqüentemente estão cada vez mais "inteligentes". De fato, sistemas de transporte ferroviário têm utilizado, por décadas, eletrônica embarcada avançada em sua infraestrutura e como parte do seu funcionamento.’
Assim compreendida sua abrangência, a área de ITS vem se desenvolvendo e ganhando atenção nos tempos recentes. Os desenvolvimentos têm ocorrido nas mais variadas áreas e compreendem tanto os sistemas de processamento chamados de backoffice, quanto a infraestrutura inteligente e  os veículos inteligentes. Em âmbito brasileiro, dois ramos têm mostrado desenvolvimentos importantes, porém ainda tímidos face ao pleno potencial de benefícios a serem gerados. Estas ações têm sido os catalisadores principais no surgimento de aplicações para os segmentos de infraestrutura e automotivo.
O primeiro ramo é o das concessionárias de vias expressas (p.ex.: rodovias), que têm gradualmente implementado a base do que pode vir a se consolidar como uma futura infraestrutura inteligente, assim como o uso de identificadores de radiofreqüência em processos de cobrança automática de pedágio.
O segundo é o setor privado, motivado, sobretudo, por aplicações de segurança e logística, que tem logrado notável expansão da frota rastreada nas aplicações mais variadas, que vão do simples posicionamento veicular a processos inteligentes de gestão de viagens, compreendendo processos logísticos, roteamentos dinâmicos, resgates, entre inúmeras outras aplicações.
Os desenvolvimentos citados ocorrem ainda sem a definição de uma desejável arquitetura brasileira de ITS. A experiência do Brasil a respeito de ITS não é muito diferente do que aconteceu na década de 1990 nos EUA e na Europa. Os investimentos em sistemas inteligentes não têm rendido os benefícios esperados por causa da falta de um planejamento adequado da tecnologia, sendo necessária uma atenção especial quanto à definição de uma arquitetura ou plano diretor para a implementação de ITS no país. Os estudos já visualizavam na década passada a necessidade de estudar aquelas arquiteturas ITS desenvolvidas no Japão, na Europa e nos EUA.
Mas, anteriormente a essa resolução, a tendência no Brasil, e em muitos outros países, vinha sendo de implantar, em cada cidade, um conjunto de equipamentos de alta tecnologia, sem ter sido analisado previamente, através de uma abordagem sistêmica, as interligações que garantem economia de escala, integração e interoperabilidade dos sistemas.
Há várias restrições quanto a ITS em alguns países, visto que as pesquisas são muito recentes. As aplicações de maior quantidade são aquelas relacionadas à cobrança de pedágio eletrônico (implantado por empresas privadas) e o gerenciamento de tráfego integrado e adaptativo. Contudo, o avanço nas telecomunicações ajudou a popularizar as informações relativas ao setor de transportes, incentivando estudos na área.
A crescente deterioração da infraestrutura em transportes e, ao mesmo tempo, o crescimento da demanda por transportes mais eficientes fizeram com que a região do Mercosul optasse por um ambicioso programa de concessão das rodovias à iniciativa privada. Os investimentos privados nas concessões são o principal fator que pode explicar, pelo menos parcialmente, a adoção do ITS na região do Mercosul e, por esse motivo, as aplicações de ITS mais comuns nesta região serem para as rodovias, tais como ferramentas eletrônicas de cobrança (ETC).

Legislação
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), vinculada ao Governo Federal do Brasil, decidiu adotar os padrões americanos do NTCIP (National Transportation Communication for ITS Protocol), através da Resolução No 3.323 de 18 de novembro de 2009,  justificando a necessidade de disciplinar a utilização de sistemas de monitoramento de tráfego, bem como a gestão operacional das rodovias concedidas sob a responsabilidade das concessionárias de rodovias federais e o adequado acompanhamento por parte desta agência das atividades dessas concessionárias, pois por esta são reguladas.
Por outro lado, a Secretaria  Municipal de Transportes de São Paulo, através da Portaria No 028/13 de 29 de março de 2013, passou a adotar o Protocolo NTCIP como meio de integração entre centrais (comunicação C2C – Center to Center) e UTMC (Urban Traffic Management Control) como meio de comunicação entre a central e equipamentos de campo (comunicação C2F – Center to Field). Esse protocolo passará a ser adotado, por exemplo, nos sistemas de controle de semáforos em tempo real.
Dois fatos também se destacaram recentemente no cenário brasileiro, relacionados às resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN).
a)    A resolução 245 prevê a instalação de um dispositivo antifurto na frota nacional – Sistema integrado de monitoramento e registro automático de veículos (SIMRAV)  – com características básicas de um rastreador automotivo, sendo esse equipamento mais um item de fábrica a ser implantado nos veículos novos;
b)    Já a resolução 212 trata dos aspectos dos sistemas de identificação veicular (SINEAV), com a implantação de um chip identificador (RFID) em toda a frota nacional.
Arquitetura de ITS
Nos últimos anos, a dimensão das fronteiras européias de gestão do tráfego se tornou o foco das autoridades de trânsito e de transportes. Existem mais de cem operadores rodoviários ativos na gestão do Trans-European Road Network (TERN). Se as autoridades ou vários operadores rodoviários pretendessem gerenciar as redes de fronteira de dados, há a necessidade das informações serem trocadas entre os parceiros.
Cabe ressaltar que, para incorporar ITS em toda a rede que trabalha com o transporte de pessoas, de bens e serviços correlatos, uma arquitetura de referência ITS pode servir de amarração, de uma forma ampla e global, dos processos de planejamento e de desenvolvimento de projetos, que existem em cada local, quer seja na esfera federal, estadual, metropolitana ou municipal.
A arquitetura de referência ITS contempla todas as possibilidades de prestação de serviços e alimenta toda a cadeia de transportes e do segmento automotivo, devendo estar adequada às realidades do mercado local e se preparar para operar em vários sistemas e ambientes, de maneira contínua e permanente. Para tal, a arquitetura poderá propiciar que as soluções e tecnologias aplicadas apresentem como fundamento básico as características de: interoperabilidade, escalabilidade (alto volume) e alta disponibilidade de operação. Deverá estar intrínseca, na arquitetura, a previsibilidade de interfaces para futuras atualizações tecnológicas e tendências na área de ITS.
A definição de Arquitetura de ITS requer Identificar:
·         necessidades (varia com o porte da cidade, características próprias, ....;
·         domínios de serviços (nível estratégico);
·         atores participantes;
·         funções (operacional);
·         entidades físicas ou subsistemas (podemos falar em termos exemplos);
·         interfaces e integrações.

Exemplos de Arquitetura de ITS
Apresentaremos a seguir alguns exemplos de arquiteturas ITS

a)    Arquitetura de ITS  proposta pela norma ISO 14.813:

O comitê técnico de ITS da Organização Internacional de Normatização ISO/TC204) propôs através da norma ISO 14.813 uma arquitetura de referência para o ITS. Uma das principais características da arquitetura ISO é o modelo de referência e um conjunto de serviços ao usuário. A Figura 1 a seguir mostra uma representação básica do núcleo da arquitetura de referência de ITS da ISO.


Figura 1 –     Representação básica do núcleo da arquitetura de referência de ITS da norma ISO.

b)    Arquitetura de ITS americana:

Os EUA foram o primeiro país a desenvolver uma arquitetura de ITS nacional, no início da década de 1990. A arquitetura em si consiste em uma coleção de serviços ao usuário (33 serviços divididos em oito domínios), cada qual acompanhado de um conjunto de requisitos, uma arquitetura lógica e uma arquitetura física, que servem para orientar o desenvolvimento de padrões. A Figura 2 ilustra a arquitetura lógica do sistema de ITS em vários níveis de detalhamento, mostrando a configuração dos serviços sem entrar em detalhes sobre sua operacionalização. A arquitetura lógica ilustra processos lógicos (mostrados como círculos), entidades (retângulos), fluxos de dados (setas) e armazenamento de dados (arquivos de dados lógicos). A Arquitetura Nacional de ITS dos EUA (Nitsa) encontra-se atualmente na versão 7.



Figura 2 – Arquitetura de ITS americana (NITSA – EUA).

c)    Arquitetura de ITS Orientada a Serviços:

A Arquitetura Orientada a Serviços (SOA, do inglês Service Oriented Architecture) envolve a desconstrução de uma aplicação em serviços comuns "reutilizáveis", que possam ser usados por outras aplicações internas da organização ou externas, de maneira independente das aplicações e plataformas de computação adotadas pela empresa e seus parceiros. Com essa abordagem, as empresas podem montar uma e outra vez esses serviços baseados em padrões abertos de maneira a estender e melhorar a colaboração entre as aplicações existentes, criar novas possibilidades e estimular a criatividade em cada ponto da cadeia de valor. A abordagem orientada a serviços simplifica a comunicação entre sistemas de TI até o ponto em que não faz mais diferença que determinado "serviço" resida nos computadores próprios ou nos de seus parceiros externos. Em essência, a abordagem SOA liberta os sistemas de TI proprietários de sua verticalidade e de sua rigidez, adaptando-os, assim, às necessidades do usuário. Uma abordagem SOA aplicada à integração de sistemas requer um projeto elaborado de maneira conjunta entre empresas e tecnologia. Entre os principais benefícios dessa abordagem, o mais evidente é que ela confere maior flexibilidade aos negócios, mas deve-se destacar também que propicia a construção de novas capacidades em menos tempo e a um menor custo. Além disso, como os serviços estão separados das aplicações utilizadas para entregá-los, as empresas podem prolongar a vida útil das aplicações existentes e integrar com mais facilidade vários tipos de aplicações e plataformas. A SOA oferece uma estrutura baseada em padrões, na qual todo participante que estiver inserido no processo pode se conectar a outro independentemente de uma solução específica, personalizada e ponto a ponto. Aumentando o grau de comunicação, conectividade e flexibilidade entre os sistemas existentes, a SOA libera o potencial dos serviços e imprime agilidade ao sistema.
  

Figura 3 – Arquitetura de ITS baseado na Arquitetura SOA.

Considerações Finais
Conforme apresentado até aqui o tema ITS é bastante amplo e não é fácil compreender de imediato toda a dimensão. Entretanto, deve ser notado que se encontra cada vez mais presente em quase tudo que se refere à mobilidade. Há um crescimento de número de profissionais de diversas áreas interessados em aprofundar os conhecimentos em ITS. Diversas associações e instituições estão se envolvendo, como por exemplo, ANTP, NTU, ITS Brasil, ABCR, ABNT, IPT, USP, COPPE entre outras. Este texto procurou apresentar uma visão geral sobre ITS não focando em nenhuma área específica. Acreditamos ser interessante que o tema seja aprofundado em áreas específicas como Transporte Público Urbano (ônibus, BRT, BRS) sobre Pneus), Transporte Metro-ferroviário e Transporte Rodoviário.